terça-feira, 22 de março de 2011

E agora...?

Morreu o Senhor Artur Agostinho.

É aquele Senhor que, na minha mente, nasce ao mesmo tempo que a rádio. Sempre que ouvi falar de rádio houve sempre qualquer coisa que me levou até ao Senhor Artur, que fazia relatos de futebol.
Este Senhor fez de tudo um pouco na esfera da comunicação. A rádio levou-o à televisão, à publicidade, ao teatro e ao cinema.

Nem mesmo o facto de ser sportinguista conseguia provocar em mim qualquer tipo de sentimento que não fosse bom. Porque até isso eu admirava no Senhor da rádio. A paixão que tinha pelo seu Sporting e a frontalidade com que este locutor sempre o assumiu, mantendo aquela isenção que todos dizemos ter, mas que na verdade...não a temos.

Mas porque o Senhor Artur não é (sim, não é!) uma pessoa qualquer, essa paixão incondicional que tinha pelo clube de alvalade não o impediu de estar presente na Gala de Eusébio, que é só o símbolo vivo do Benfica. O Senhor Artur Agostinho tem aquilo a que chamo de bom fundo, é um coração despido de preconceitos e tem uma mente aberta de fazer inveja a qualquer jovem de qualquer geração. Por isto e muito mais, não teve vergonha de se emocionar numa gala benfiquista e de fazer Eusébio sentir-se pequeno. Em casa, atentamente a ouvir as palavras do sábio Artur, eu chorei.

Este Senhor de 90 anos fazia-me sempre sorrir. Sempre fez! Mas hoje não consigo.

Numa das últimas entrevistas que deu, o Senhor Artur Agostinho disse que era "um dever de todos nós amarmos o outro".

Um comentário:

  1. Gostei muito Carolina. Acho que devíamos também ser todos um pouco como o Senhor Artur Agostinho, desprendidos da pequenez mundana e da malvadez que caracteriza os medíocres. Há mais mundo para lá do "adro da igreja". E há tantas coisas boas para podermos partilhar.. Beijo grande... Marsílio

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